Poesia e a sintonia do eu

Há quem diga que ser poeta ou fazer poesia é algo difícil, até porque muitas vezes é encarado como algo muito culto e colocado em um pedestal. Com isso, existe uma segregação própria da poesia que tenta, com seu jeito especial, gritar para os quatro cantos do mundo o que a alma não suporta.

Mergulhar no universo poético é poder mergulhar numa esfera de metáforas e abstrações que a mente humana tenta de alguma maneira desvendar e desbravar em suas nuances. Nesse meio do caminho, encontramos diversas pedras, funcionando como obstáculo para entender uma poesia, como a linguagem rebuscada, como os mistérios de cada verso e o próprio confronto com a arte e com a verdade que se mostra naquele verso.

Fernando Pessoa dizia que “o poeta é um fingidor”. Se isto for verdade, o poeta finge ser poeta, ou seja, nos engana, porque acreditamos em versos e dizeres tão lindo. Mas também, quem de nós não finge algo na vida? Quem de nós escolhe mostrar para o mundo quem nós realmente somos? Outra dúvida surge: sabemos quem somos?

A poesia nos confronta com nosso próprio eu e com nossas próprias máscaras, usadas em um universo social também mascarado. Quando temos um lápis e um papel, temos a oportunidade de criar e recriar, nós e o papel, nós e o outro, nós e outro nós que existe em nós.

O fazer poético também é encarado com uma possível válvula de escape, porque podemos materializar nosso sofrimento e também nossas alegrias. É uma grande possibilidade transformar a dor em algo que seja diferente e que não machuque ou afete. É um poder de cura e de renovação que nos é ofertado, só nos resta encarar a poesia e tudo que ela pode nos oferecer.

Que nesse dia 21 de Março possamos nos permitir escrever, ler uma poesia, para nós e para alguém, mergulhar em um universo revelador e valorizar essa arte tão linda.

Feliz dia internacional da poesia!